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14/07/2010
Se, por um lado, o setor calçadista comemora uma excelente fase de crescimento de produção e geração de empregos, por outro está alerta com a “inexplicável” elevação das importações de calçados procedentes de países asiáticos não tradicionais fornecedores, como Malásia, Vietnã e Indonésia. O sinal amarelo foi acionado na última semana pela Abicalçados. Em coletiva de imprensa realizada em São Paulo, Milton Cardoso, presidente da entidade, reiterou a urgência do Governo Federal em aplicar a Lei 9019/95 (Lei da Circunvenção), que estende a medida antidumping – já adotada contra os calçados chineses - para estes países, inibindo assim a prática da triangulação. Segundo levantamento da Abicalçados, houve também um crescimento excessivo nas importações vindas da China de cabedais e partes de calçados. De janeiro a junho deste ano, ocorreu uma elevação de 1.729% nos pares de cabedais (parte de cima do calçado) e de 578% nos quilos de partes de calçados (solas, solados e outros). A variação das importações, somando calçados, cabedais e partes, é de 8,5%. “Temos que aumentar a fiscalização da entrada destas mercadorias, pois certamente está havendo equívocos na documentação”, assinala Cardoso. Chama a atenção também o volume de pares importados da Malásia, Vietnam e Indonésia. De janeiro a junho deste ano, o Brasil comprou da Malásia 21 mil por cento a mais de pares, passando dos onze mil pares importados no mesmo período de 2009, para 2,5 milhões. Do Vietnã vieram 3,5 milhões de pares, 109% a mais, enquanto da Indonésia chegaram 1,3 milhão, uma elevação de 55%. “É surpreendente a participação destes países em tão pouco tempo e temos que investigar”, aponta Cardoso. “Não é somente porque antes estes países não exportavam, é porque sabemos que não é fácil substituir o fornecedor de uma hora para outra”, acrescenta Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados. Mantendo os olhos atentos à triangulação, a indústria calçadista projeta crescimento de produção e de consumo no mercado interno. Em 2010, o setor deverá ter um incremento de 5,5% no volume de pares fabricados, hoje estimado em 814 milhões de pares. Os investimentos irão registrar, em valores, um aumento de 11,5%, atingindo cerca de R$ 500 milhões. Esta projeção deverá equilibrar os recursos de 2009, quando o setor havia investido R$ 423 milhões em valores nominais, o que representou uma queda de 12% sobre 2008. “Estamos esperando uma forte retomada neste indicador”, aponta o economista Marcelo Prado, diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), responsável pelo Relatório Setorial da Indústria de Calçados do Brasil. Segundo ele, o consumo aparente de calçados deverá passar de 717 milhões de pares para 730 milhões. O varejo, por sua vez projeta registrar um índice de 12%, sendo que em 2009 a elevação, segundo a Associação Brasileira dos Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac) havia sido de 3,2%. “Com a retomada da produção em 2010, espera-se fechar o ano apenas 2% abaixo de 2005 (ano recorde de produção) em pares e 5% abaixo em valores nominais”, estima o economista. O número de empregos também está positivo. De janeiro a maio, foram geradas 34,3 mil novas vagas, sendo que o acumulado do ano aponta 354,2 mil trabalhadores diretos, contra 320 mil no mesmo período do ano passado. “Acredito que podemos atingir a cifra recorde de 400 mil empregos ainda este ano”, aponta Milton Cardoso, em uma referência à projeção feita em março deste ano, após a implantação da medida antidumping, quando o setor havia se comprometido a gerar este número de empregos em dois anos. DIMENSÕES DO SETOR EM 2009: 8,1 mil empresas 325 mil funcionários R$ 18,9 bilhões em vendas US$ 1,36 bilhão exportado R$ 425 milhões em investimentos IMPORTAÇÕES JAN-JUL 2010
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