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25/05/2010

Crescem os investimentos em pesquisa
e desenvolvimento de calçados de corrida

Nos últimos anos, as empresas vêm aumentando os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de calçados de corrida. Os estudos nesta área levam em conta três fatores básicos: desempenho, prevenção de lesões e conforto. Conforme o Dr. Darren Stefanyshyn, da Universidade de Calgary, no Canadá, para se evitar lesões, o tipo de calçado, o controle de pronação (ângulo de inclinação do pé para fora) e a absorção de impacto são fatores determinantes.

“Há mais de 30 anos as marcas esportivas buscam novos conhecimentos para criar calçados confortáveis e que ofereçam menor risco aos usuários. Algumas inovações importantes foram obtidas a partir dessas pesquisas”, destacou o pesquisador durante o VII Simpósio Brasileiro de Biomecânica do Calçado.

O Nike Air, conforme Stefanyshyn, é um modelo bem-sucedido mundialmente dentro deste conceito. O sistema foi desenvolvido por um engenheiro da NASA, que o vendeu à Nike. A base é o sistema de absorção de choque que ajuda a prevenir lesões no calcanhar e nas articulações.

Estudos feitos por Stefanyshyn indicam que, numa corrida a 1,2 m/s, a força de impacto sobre o solo é maior do que na caminhada à mesma velocidade. Contudo, o controle de pronação é importante nas duas modalidades, assim como a carga sobre o joelho, o controle de estabilidade e a tração.

A carga no joelho, se excessiva, também pode comprometer os ligamentos (tecidos macios) e causar lesão. Numa caminhada ou numa corrida, o pico sobre o joelho é quase o mesmo, mas a osseoartrite é maior na segunda. Uma opção para evitar a dor no joelho é a colocação de um calço lateral no pé para mudar o alinhamento. Outra solução é a diminuição da carga sobre o joelho entre 8 e 12%.

Um estudo nos Estados Unidos comparou um modelo da marca Stafild com solado erguido 20º com outro da Adidas. Os resultados mostram torção maior do joelho no Stafild, que, na posição, erreta, teve força de impacto maior por não ser muito flexível. Já a força transversa no solado teve redução de 60%.

Para ajudar a prevenir torção no joelho, a marca Treketa, desenvolveu a tecnologia de suspensão independente. A maior pressão ocorre sobre a região do meio do pé, diminuindo a carga sobre o tornozelo.

Já para evitar escorregões e quedas, muito comuns em ruas cobertas de gelo no Canadá, diversas marcas colocam dispositivos mecânicos na sola do calçado. Além disso, dão especial atenção a fatores como força horizontal, força vertical e fricção ao desenvolveram novos modelos.

“Quando se caminha rapidamente, é preciso maior tração do calçado porque, nesta situação, a pessoa também gira, para e segue”, destaca Stefanyshyn. Conforme ele, o coeficiente de fricção relaciona-se com a altura da pessoa e a velocidade de caminhada. A uma velocidade de 1,6 m/s, uma pessoa alta precisa de mais fricção do que uma pessoa baixa.

Em relação ao desempenho numa corrida, Stefanyshyn acentua que os conhecimentos já obtidos pelos pesquisadores permitem qualificar a retenção de energia e a rigidez dos músculos. Estas características variam de pessoa para pessoa, mas treinamento são essenciais, levando ao fortalecimento muscular e queima de calorias.

“O calçado exerce influência sobre os músculos. Podemos citar como exemplo , os calçados MBT, cujo fabricante fez diversas pesquisas em caminhadas. Eles causam aumento dos músculos nas regiões glútea e bíceps femural de 30 a 45%”, conclui o médico.

Por Milton Grabin, de Novo Hamburgo/RS

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