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18/05/2010
Problemas com os pés são maiores
em mulheres
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O VII Simpósio Brasileiro de Biomecânica do Calçado iniciou-se com o seminário preparatório Inovação Tecnológica no Calçado para MPEs, em que a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Dra. Eliane Manfio, abordou o conforto como atributo do calçado.
Eliane apontou dados relativos ao desconforto dos pés durante o uso de calçados. Enquanto para os homens a região dos dedos apresenta 42,8% dos índices de desconforto, nas mulheres ela é responsável por 65,3%. A pesquisadora também destacou que as dimensões das formas ainda não estão adequadas aos diferentes tamanhos dos pés brasileiros.
“Temos pés com um mesmo comprimento, mas com volumes variados. Para o público feminino, nas numerações 35, 36 e 37 (as mais comuns), a variação média é de 58 mm. Já para os homens, do 39 ao 41, a variação é de 48 mm. Portanto, para calçados com um mesmo comprimento, principalmente nos modelos fechados, deveria haver cinco opções diferentes de larguras ou volumes”, explicou. Conforme ela, se a forma não for adequada, de nada adiantam materiais tecnologicamente avançados. “O conforto, nesta condição, fica prejudicado”, assegura.
Quanto ao formato do pé, a pesquisadora ressaltou que predomina, no Brasil, o (formato) egípcio (79% nas mulheres e 72% nos homens). Por isso, os modelos de sapato que vão afunilando desde a parte central costumam tencionar os dedos. O ideal, para que não ocorram lesões, é começar o afunilamento na parte correspondente às extremidades dos dedos.
Eliane destacou ainda que a biomecânica se preocupa em estudar e quantificar o movimento do indivíduo e a sua relação com o ambiente. As pesquisas envolvem estudos com indivíduos realizando movimentos descalços e calçados. Depois, esses dados são confrontados e verifica-se como o calçado influencia no movimento dos pés. Os testes de campo são essenciais e melhoram significativamente a qualidade dos dados coletados, pois, ao utilizar a esteira, o indivíduo muda a sua maneira de caminhar. O quadril, os joelhos, os tornozelos e a coluna se comportam de maneira diferente do que se a pessoa estivesse caminhando em um terreno normal.
A seleção do indivíduo que vai realizar o teste também influencia nos resultados. Se a pessoa apresentar pisada com pronação excessiva, os resultados podem indicar erradamente que seria o calçado que está provocando a pronação. O tipo e a espessura dos materiais utilizados também refletem nos resultados finais. Por isso, os testes de componentes devem ser realizados em dois momentos - decide-se qual é o tipo de material mais adequado para alcançar os índices de picos de pressão desejados e também qual é a espessura mais adequada deste material. Dessa forma, conseguem-se resultados mais seguros.
Eliana contou que, na pressão plantar, 60% do peso do indivíduo fica distribuído na região do calcanhar. Por isso, o uso de um salto muito alto, que chega a transferir até 80% do peso para a região frontal do pé (metatarsos), pode modificar, e muito, a maneira de a pessoa caminhar.
A pesquisadora do IBTeC citou seis normas que determinam os índices de conforto no calçado, elaboradas pelo IBTeC e publicadas pela ABNT, que estabelecem os métodos de ensaios e os requisitos para medir o índice de conforto dos calçados, bem como define as características para a seleção de modelos de calce.
NORMAS DE CONFORTO (NBRS)
√ Determinação da massa do calçado
√ Determinação dinâmica da distribuição da pressão plantar
√ Determinação da temperatura interna do calçado
√ Determinação do índice de amortecimento do calçado
√ Determinação do índice de pronação do calçado
√ Determinação dos níveis de percepção do calce
Juntas, as NBRs determinam os níveis de conforto do calçado, classificados em cinco categorias atualmente: muito confortável, confortável, norma desconfortável e muito desconfortável. Estes índices, de acordo com a Dra. Eliane, estão sendo revistos e serão reduzidos para três em breve: confortável, normal e desconfortável.
Para determiná-los, os laboratórios de biomecânica (entre eles o do IBTeC) utilizam diferentes velocidade de marca (caminhada) para verificar a distribuir da pressão plantar (planta do pé) de homens, mulheres e crianças. Para homens, a velocidade é de 5km/hora; para mulheres, de 4km/h, e, para crianças, de 3km/h. Os testes são efetuados a uma temperatura de 23º C e a umidade relativa do ar de 50%. São utilizados corpos de prova (calçados) com numeração 35/36/37 (mulheres), 39/40/41 (homens) e bebê/infantil/infanto-juvenil (crianças).
“Calçados que não machucam quando usados na esteira dificilmente apresentarão problemas na prática”, destaca a Dra. Eliane. Conforme ela, a distribuição do peso de corpo na planta do pé influencia o conforto do calção, assim como outros fatores. Por isso, segundo ela, a palmilha precisa ter a capacidade de distribuir a pressão sem deformar. Quando isso não ocorre, surgem dores na região inferior do pé.
Palmilhas sensorizadas são utilizadas para controlar o movimento do pé, na velocidade determinada, e avaliar a distribuição da pressão plantar. A maior parte das pessoas centralizada na região da cabeça dos metatarsos, entre o primeiro e o segundo dedos. Outras têm pressão nas laterais e na parte central do pé.
Estudos indicam que, com o pé descalço, os picos mais elevados de pressão ocorrem no calcanhar, no médio pé e nos metatarsos, nesta ordem. A função do calçado é reduzir esta pressão, ou seja, com o uso de calçado, a pressão reduz-se significativamente.
Materiais também são importantes para a distribuição da pressão plantar. O EVA, por exemplo, muito utilizado em calçados esportivos, possui pico de pressão maior que o PU. “A pressão é menor com o uso de espessuras maiores, de 3, 5,7,5 e 10mm”, acentua Eliane.
| PONTOS DE DESCONFORTO NOS PÉS |
| |
Homens |
Mulheres |
Dedos
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42,8% |
65,3% |
| Articulações |
32,5% |
56,7% |
| Médio pé |
23% |
19,5% |
| Calcanhar |
32,5% |
37,4% |
Por Milton Grabin, de Novo Hamburgo/RS
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