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16/04/2010
Dr. Martens celebra 50 anos


Em Munique, Alemanha, a garagem do Dr. Klaus Maertens era repleta de invenções, entre elas uma sola para sapatos feita quase totalmente de ar. Em Northampton, Inglaterra, a família Griggs produzia calçados de alta qualidade havia muitas décadas. Encontraram-se graças a um anúncio no jornal, e juntas criaram as míticas botinas anfíbios Dr Martens com Air Wair.

O primeiro modelo que surgiu no mercado, em abril de 1960, foi aquele com oito ilhoses, rebatizado 1460 para lembrar a data; logo em seguida surge também a botina com apenas três ilhoses, rebatizada 1461. Usada por soldados, operários, carteiros e policiais, foi também adotada por estrelas do rock como Pete Townshend dos Who, exatamente por sua conotação autenticamente working class. Foi ele, o líder da banda símbolo do movimento modernista, que a transformou em símbolo da subcultura (juntamente com a parka e a Lambreta), seguido por Clash e Sex Pistols, e também por skinheads e hooligans. Muito antes da Internet, MTV e SMS, a botina com costura amarela tornou-se um ícone das contraculturas.

A onda de xenofobia que varreu a Inglaterra no início da década de 1980 transformou muitos skins em militantes das organizações de extrema direita. Muitos, mas não todos. E visto que ninguém intencionava renunciar às Dr. Martens, eis que aparece a maneira de se distinguir. Cordões: brancos para quem se posiciona à direita, vermelhos para os que se colocam à esquerda.

Política, mas não apenas isso. Há também o estádio. Também neste caso, ao menos até meados dos anos 80 - advento do movimento casual e dos seus respectivos tênis - as Dr. Martens destacaram-se nas arquibancadas. Até demais, a ponto de a polícia perder a paciência. Inúmeras brigas nas quais aquelas solas faziam muito estrago. E então, o recrudescimento das proibições. Antes de entrar no estádio, tirem os cordões para deixar a botina menos perigosa. Apesar dos anos, o estilo ainda permanece. O que mudou, porém foi a aura de antagonismo e rebeldia que durante anos caracterizou essas botinas anfíbias. Da working class de ontem ao glamour das Paris Hilton de hoje, o salto é enorme. Do característico vermelho cereja, às mil tonalidades incluindo as dotadas de florzinhas, as famosas botinas continuam em alta ao celebrar 50 anos.


(por Cláudia Martini, Milão)


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